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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ainda sobre a Flórida

Outro disquinho adquirido na viagem e que serviu, muito bem, de trilha sonora.

Aliás, chegando em São Paulo as audições só aimentaram.

Ainda não ouvi nada novo e melhor esse ano!



Mais diários de viagem

Outro grande companheiro na viagem à Florida no mês passado foi o volume aí embaixo:



É a auto biografia desse monstro do Jazz, e das quatro cordas.

O livro é fantástico, quase um On The Road (talvez até mais legal de ler hoje em dia) do Jazz. Aliás, inegável que a literatura beat influenciou a escrita do Mingus, assim como o som deste deve ter embalado muitas aventuras de Kerouac e cia.

Algumas passagens são até mesmo antológicas, como a noite de sexo com 23 prostitutas no méxico.

E como cereja no bolo, ainda tem uma discografia essencial recomendada e comentada pelo Roberto Muggiati.




terça-feira, 31 de julho de 2012

The New Thing

Semana passada, graças a alguns estimulos externos coincidentes, resolvi tirar da prateleira um livro que a habitava desde o ano de 2007.


Trata-se da biografia do meu disco de jazz favorito, nada mais, nada menos, que A Love Supreme, de John Coltrane.

Quase terminando a leitura, e após ouvir o disco algumas vezes ao longo dessa semana, tenho a firme a sensação de que esse álbum tem que ser ouvido pelas pessoas mais queridas.

Esse disco é especial por diversos motivos.

Não é à toa que ele foi eleito, há alguns anos, como o segundo melhor disco de todos os tempos, em uma mega enquete (com músicos e jornalistas brasileiros) feita pelo então blog Radiola Urbana.

Faço minhas as palavras do Mr. Mamelo Sound System, Rodrigo "Audiolandro" Brandão, no texto de "apresentação" do disco no citado blog:


"Arte sacra
Qualquer ser humano cuja alma tenha sido tocada pelo poder do jazz nunca mais foi o mesmo. Se teve contato com a música do saxofonista norte-americano John Coltrane (1926-1967), a coisa fica ainda mais séria. Agora, se ouviu “A Love Supreme” então, nem se fala. Gravado em dezembro de 1964, o disco flagra o quarteto mais famoso de Trane – com McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo acústico) e Elvin Jones (bateria) – entrosado ao extremo.
Cada um desses músicos fez sua própria revolução com seus respectivos instrumentos e aqui todos eles colocam sua genialidade a serviço da criação de um líder literalmente iluminado. Quer dizer, “Blue Train” (57) e “Giant Steps” (59) já tinham provado que o gatuno egresso da banda de Miles Davis tinha muito mais a dizer, mas isso aqui vai além. Uma peça única, dividida em três atos, dedicada a Deus, o álbum foi produzido e fotografado por Bob Thiele, proprietário da lendária gravadora Impulse!, e extrapola o rótulo de clássico. Trata-se de um verdadeiro monolito de genialidade humana – gospel music que converte até o mais ferrenho dos ateus. Amém, Senhor! (Rodrigo Brandão)"

O texto tem lá suas imprecisões históricas, mas a essência da coisa está aí.

Então, o lance é mais ou menos o seguinte: o auge criativo do gênio mais corajoso e experimental do jazz; tocado pela banda mais explosiva do gênero; num formato de suíte em quatro movimentos que, se não era inédito, era absolutamente pouco usual; e que tem um componente espiritual fundamental.

Além de tudo isso, foi a única vez em que Coltrane escreveu um texto para a contra capa de um álbum e, sendo assim, mandou ver logo dois.

O primeiro é quase que uma exposição de motivos:

"DEAR LISTENER: ALL PRAISE BE TO GOD TO WHOM ALL PRAISE IS DUE. Let us pursue Him in the righteous path. Yes it is true; "seek and ye shall find." Only through Him can we know the most wondrous bequeathal.

During the year 1957, I experienced, by the grace of God, a spiritual awakening which was to lead me to a richer, fuller, more productive life. At that time, in gratitude, I humbly asked to be given the means and privilege to make others happy through music. I feel this has been granted through His grace. ALL PRAISE TO GOD.

As time and events moved on, a period of irresolution did prevail. I entered into a phase which was contradictory to the pledge and away from the esteemed path; but thankfully, now and again through the unerring and merciful hand of God, I do perceive and have been duly re-informed of His OMNIPOTENCE, and of our need for, and dependence on Him. At this time I would like to tell you that NO MATTER WHAT ... IT IS WITH GOD. HE IS GRACIOUS AND MERCIFUL. HIS WAY IS IN LOVE, THROUGH WHICH WE ALL ARE. IT IS TRULY – A LOVE SUPREME – .

This album is a humble offering to Him. An attempt to say "THANK YOU GOD" through our work, even as we do in our hearts and with our tongues. May He help and strengthen all men in every good endeavor.

The music herein is presented in four parts. The first is entitled "ACKNOWLEDGEMENT", the second, "RESOLUTION", the third, "PURSUANCE", and the fourth and last part is a musical narration of the theme, "A LOVE SUPREME" which is written in the context; it is entitled "PSALM".

In closing, I would like to thank the musicians who have contributed their much appreciated talents to the making of this album and all previous engagements.

To Elvin, James and McCoy, I would like to thank you for that which you give each time you perform on your instruments. Also, to Archie Shepp (tenor saxist) and to Art Davis (bassist) who both recorded on a track that regrettably will not be released at this time; my deepest appreciation for your work in music past and present. In the near future,
I hope that we will be able to further the work that was started here.

Thanks to producer Bob Thiele; to recording engineer, Rudy Van Gelder; and the staff of ABC-Paramount records. Our appreciation and thanks to all people of good will and good works the world over, for in the bank of life is not good that investment which surely pays the highest and most cherished dividends.

May we never forget that in the sunshine of our lives, through the storm and after the rain – it is all with God – in all ways and forever.

ALL PRAISE TO GOD.

With love to all, I thank you, "
O segundo, um poema de louvação:

"A Love Supreme

I will do all I can to be worthy of Thee O Lord.
It all has to do with it.
Thank you God.
Peace.
There is none other.
God is. It is so beautiful.
Thank you God. God is all.
Help us to resolve our fears and weaknesses.
Thank you God.
In You all things are possible.
We know. God made us so.
Keep your eye on God.
God is. He always was. He always will be.
No matter what...it is God.
He is gracious and merciful.
It is most important that I know Thee.
Words, sounds, speech, men, memory, thoughts,
fears and emotions – time – all related ...
all made from one ... all made in one.
Blessed be His name.
Thought waves – heat waves-all vibrations –
all paths lead to God. Thank you God.

His way ... it is so lovely ... it is gracious.
It is merciful – thank you God.
One thought can produce millions of vibrations
and they all go back to God ... everything does.
Thank you God.
Have no fear ... believe ... thank you God.
The universe has many wonders. God is all. His way ... it is so wonderful.
Thoughts – deeds – vibrations, etc.
They all go back to God and He cleanses all.
He is gracious and merciful...thank you God.
Glory to God ... God is so alive.
God is.
God loves.
May I be acceptable in Thy sight.
We are all one in His grace.
The fact that we do exist is acknowledgement of Thee O Lord.
Thank you God.
God will wash away all our tears ...
He always has ...
He always will.
Seek Him everyday. In all ways seek God everyday.
Let us sing all songs to God
To whom all praise is due ... praise God.
No road is an easy one, but they all
go back to God.
With all we share God.
It is all with God.
It is all with Thee.
Obey the Lord.
Blessed is He.
We are from one thing ... the will of God ... thank you God.
I have seen God – I have seen ungodly –
none can be greater – none can compare to God.
Thank you God.
He will remake us ... He always has and He always will.
It is true – blessed be His name – thank you God.
God breathes through us so completely ...
so gently we hardly feel it ... yet,
it is our everything.
Thank you God.
ELATION-ELEGANCE-EXALTATION
All from God.
Thank you God. Amen.

JOHN COLTRANE - December, 1964 "


Aliás, poema não, na verdade um salmo, que é declamado pelo saxofone no quarto e último movimento, Psalm. Prestem atenção que vale muito a pena:



O disco foi executado integralmente apenas uma vez ao vivo, na França em 1965.

Dessa apresentação restaram imagens dos dois primeiros movimentos:


Enfim, tudo isso para dizer novamente que esse é um disco que merece ser ouvido por quem gosta de música.

Melhor ainda é ter a percepção da elevação espiritual por meio da música contida no álbum. Coltrane viveu apenas mais 4 anos após a realização desse disco, uns poderiam dizer que ele não morreu, apenas se iluminou.

Para finalizar esse post, quero dizer que há pouco tempo tive uma conversa com um amigo sobre o tema espiritualidade, que foi tão reveladora quanto inspiradora.

A música desse disco faz todo sentido com tudo que conversamos.

Esse amigo faz aniversário hoje e é para ele que dedico esse post.

Espero que ele ouça um dia A Love Supreme.

Feliz ano novo meu amigo!


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Bencampwyr

Bencampwyr, em galês, campeões!!!

E não é que devagar e sempre um post antigo com vídeos dos Super Furry Animals se tornou o campeão de visualizações desse blog!!!

Tal fato me deixa muito feliz, em se tratando de uma das bandas favoritas de todos os tempos, tão genial que é até triste que seja quase desconhecida aqui no Brasil.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Diário de um Carnaval

Quem acompanha o blog sabe que escrevo pouco, quase nada para ser sincero, sobre minha vida pessoal.

Acontece que esse feriado de Carnaval foi tão proveitoso em termos culturais que não deu para não postar aqui um breve diário:

O pré carnaval começou bem, com a leitura da autobiografia do Gordom Ramsay, o chef celebridade britânico que ficou conhecido por suas estrelas no Michelin e sua delicadeza escocesa.


O livro, claro, não é nenhuma obra prima, e mesmo entre livros escritos por chefs, passa longe da qualidade dos livros do Anthony Bourdain, por exemplo. Ainda assim, a leitura é fácil e ágil, sem muitas delongas sobre a infância (difícil). O melhor do livro, na minha opinião, são os capítulos dedicados ao início de carreira e toda a luta para estabelecer um negócio próprio. No mais, nada muito interessante, e aqui admito que o capítulo dedicado ao irmão viciado passou longe de ser atrativo de leitura.

Uma pausa para os dois anos de minha filha e chega o final de semana.

De carnaval mesmo, apenas uns 15 minutos do desfile da escola Pérola Negra, da Vila Madalena, afinal, o enredo versava sobre minha querida Itanhaém (bom, a escola acabou sendo rebaixada, mas isso são outros carnavais, certo?).
A trilha sonora ficou mesmo por conta das crianças, e acabou prevalecendo um playlist dos Gorillaz e outro com marchinhas de carnaval.

Esse foi o hit do feriado:



Seguido de perto por esse:



Mas Tudo começou a pegar fogo mesmo com o artigo do Álvaro Pereira Júnior na Folha de São Paulo do sábado, que me instigou a baixar um app no IPad e começar a ouvir, quase ininterruptamente, a BBC6, ou 6music, para os íntimos.


A programação da rádio é incrível (parece um Ronca Ronca 24hs por dia). E ainda consegui pegar um programa apresentado pelo Don Letts (não conhece? Então procura na interne, vai!).

De volta ao Brasil, a folia também estava mesmo nas páginas dos livros, e o feriado foi dedicado a outro livro, dessa vez de Alberto Villas, jornalista e escritor.


Afinal, o que viemos fazer em Paris? é um relato autobiográfico do auto exílio imposto pelo autor, ao deixar, no início da década de 70, Belo Horizonte pela capital francesa. Formado por quatro partes, o livro é feito de pequenos fragmentos de memórias, o que torna a leitura bastante ágil, isso sem falar na qualidade do projeto gráfico. Nem o discurso anti ditadura, altamente batido, mas dentro do contexto histórico, torna a leitura chata.

A primeira parte, fragmentos da vida real, traz breves relatos sobre memórias da vida de um brasileiro em Paris nos anos 70.

Na segunda, saudade do Brasil, o autor relembra de objetos, produtos, comidas e lugares dos quais tem saudades no exterior. Francamente, a não ser que o leitor não tenha a mínima idéia do que se tratam os temas dessa segunda parte, sua leitura é totalmente indispensável, como de fato dispensada foi.

A terceira parte, trilha sonora, é dedicada aos discos, na grande maioria de música brasileira, recebidos pelo correio, comprados por lá mesmo, ou gravados em fitas K7. Muito bacana ver como a música foi parte essencial da vida de Alberto Villas, elo de ligação com o Brasil e forma de suportar da dura vida de imigrante. Isso sem falar do retrato fiel de uma época em que se comprava, ouvia discos.

A quarta e última parte, talvez a mais interessante, estilhaços de cartas na mesa, é composta de fragmentos de cartas enviadas ao Brasil. Aqui não são apenas memórias, mas a letra fria do momento. E não é que em uma carta de 20 de agosto de 1979 Villas conta sobre a experiência de um show do nosso mais que querido PIL em Londres? Abre aspas: “Fui a Londres e vi o show do Public Image Ltd, a nova banda do Joãozinho Podre dos Sex Pistols. Nunca tinha visto nada igual, um show muito louco.” O disco do PIL, aliás, é uma das bolachinhas gringas que ele menciona nas cartas trazer para o Brasil.

Em resumo, um livro bacana, interessante mesmo, e fácil de ler numa casa cheia de crianças brincando e pessoas vendo televisão após o por do sol, e antes de uns e outros episódios de Monty Phython Flying Circus.



Pausa nos livros para colocar em dia a pilha de DVDs da estante. Sangue Negro foi o eleito. O filme é ótimo e Daniel Day-Lewis é – não encontro outra palavra – foda!



Outro ponto alto veio de uma dica do Ronaldo Evangelista, no videocast Vintedoze () anterior ao carnaval, que resultou na leitura de um conto do Julio Cortázar, tirado do livro As armas secretas.


Nem vou adiantar muito, mas o conto, intitulado o Perseguidor, dedicado a Charlie Parker, narra a relação entre um jornalista/crítico musical/biógrafo e um músico de jazz/biografado. Muito bom mesmo, afinal de contas Cortazár é de altíssimo nível, e a cereja no bolo é uma passagem que trata sobre a passagem do tempo.

Esse conto ainda resultou em um disco, do argentino Ruben Barbieri, e um filme, que deverão ser degustados até o próximo final de semana, depois conto para vocês.




Ainda deu tempo de ler a matéria principal da MOJO com o New Order na capa.
Para fechar a tampa, uma passada de olhos em DVDs do programa do Jools Holland.


E que venha o próximo feriado, e que seja tão prolífico quanto esse.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Que saudades!!!

Ontem passei aqui perto.


Ainda que da estrada, o turbilhão de lembranças foi tão intenso que até doeu!

Itanhaém, no litoral sul de São Paulo.

Esse foi o local onde passei a maioria das férias de minha infância.

Exatamente entre o rio e o mar (a Prainha, para ser mais preciso).


Sou muito grato por isso fazer parte de minha história, e lamento por meus filhos não poderem viver experiência semelhante.

Esse aqui é um dos meus lugares preferidos da vida toda:


Saudade realmente é uma palavra que só existe na língua portuguesa!!!

Abs.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

FUTURA

Conforme prometido, um pouco sobre esse disco maravilhoso.

Nem sei ao certo a razão desse disco ter batido tão bem na minha orelha.

Alguns motivos para tentar entender isso:

1. a Nação Zumbi (melhor banda do Brasil desde Os Mutantes) estava tinindo;

2. com uma produção de primeira, dividida entre a banda e o americano Scotty Hard (Wu Tang Klan e Medeski Martin and Woods, dentre outros), o álbum soa bem diferente dos anteriores;

3. os tambores estão lá, mas são apenas um detalhe em segundo plano, o que, nesse caso, foi uma idéia acertadíssima;

4. o disco não é de dub, mas este permeia toda a produção, climática, pesadona;

5. Lúcio Maia achou uma pegada meio surf music, meio trilha do Morricone;

6. no campo pessoal, o ano era 2005 e meu primeiro filho tinha acabado de nascer;

7. fui a 4 shows dessa turnê em São Paulo, todos animalescos, ainda que bem diferentes entre si.

Esse é um disco para ser ouvido diversas vezes, de preferência com um ótimo fone de ouvido, e já aviso, ele pode não descer redondo de primeira (como muitos dos grandes álbuns já gravados), mas a hora em que bate, não te larga mais.

Aliás, tenho um sonho muito doido, se pudesse, bancava uma edição em vinil, em 45 polegadas, para os graves descerem mais redondos.

Pupillo, Dengue e cia merecem, e muito!!!

Segue uma pequena amostra: