quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tropa de Elite

Rolou ontem o tal tributo da MTV ao Legião Urbana, com os dois membros originais vivos, Dado e Bonfá, e o Wagner Moura nos vocais.

Antes de mais nada, uma pequena introdução.

A Legião Urbana foi o meu The Beatles. A banda responsável pela minha principal formação musical. A primeira banda do coração.

E como tudo que você ouve em demasia, deu um certo bode.

Bode esse que durou bem uns 10 anos, mas de uns 2 anos pra cá consegui ouvir novamente os discos da banda, dessa vez sem a idolatria juvenil e boba (ainda que importante em muitos momentos da vida), mas com o olho (e ouvido) do aficionado por música, que já passou por muitos e muitos discos nesse período.

Talvez escreva sobre isso melhor depois, mas minha releitura da Legião Urbana me levou a apreciar uma banda fortemente influenciada pelo rock inglês do final dos anos 70 em diante, e chegar à conclusão de que se trata da verdadeira banda punk brasileira (talvez só o Camisa de Vênus seja um "rival" à altura).

Bom, dito isso, admito que não tinha qualquer intensão de ver esse show com o Wagner Moura. A princípio, me parecia ultra oportunista.

Mas nesse último final de semana, quase sem querer (com trocadilho mesmo), vi o especial com os ensaios, e uma frase do Bonfá me fez mudar de idéia: "a Legião Urbana não existe mais".

Assim, com o atestado de que ninguém estava se levando a sério demais com esse projeto, que a intenção era se divertir (mas com ensaios, pra sair direitinho), e proporcionar um show para pessoas que provavelmente nunca tinham visto a banda ao vivo, ontem me prostrei na frente da TV das dez à meia noite.

Quanto ao show, os sentimentos foram contraditórios.

Foi bom ver o Dado e o Bonfá tocando juntos, acompanhados por uma banda de apoio competente.

O som falhou algumas vezes, especialmente no microfone do vocalista. A guitarra do Dado em alguns momentos estava meio fora da ordem também (o que ajudou a arruinar Fábrica, por exemplo).

A performance do Wagner Moura certamente despertará muita polêmica. Mas a verdade é que alguns pontos devem ser levados em consideração: 1) ele é ator, não cantor (tá certo, ele tem uma banda que até já gravou disco, mas estou falando aqui de profissão mesmo); 2) o cara estava nervoso, especialmente no início, tanto por estar na frente de 7.000 pessoas, como por tocar com caras que são seus ídolos, ademais, ele certamente sabia que os olhos estava todos voltados para sua performance, e tenho certeza de que ele sabe que seria massacrado pela inteligenzia; 3) ele nitidamente teve problemas de adaptação com os monitores de ouvido, aliás, a performance melhorou muito quando ele tirou os fones; 4) a maioria das músicas não favorecia o timbre e alcance vocal do Capitão Nascimento; 5) essas músicas estão tão incrustradas no inconsciente coletivo que fica quase impossível não comparar.

Pois bem, tirando todos esses fatores, dá para dizer que a performance foi ok, ainda que tenha sido realmente muito esforçada. Umas 5, no máximo 6 músicas ficaram realmente legais. No mais, foi até meio tenso de ver.

Andrea Dória, ainda na parte inicial do show, e uma das músicas mais absurdas da Legião, foi muito interessante, com a participação do Fernando Catatau, do Cidadão Instigado.

Fato é que as melhores apresentações não contaram com os vocais do ator. Teatro dos Vampiros mostrou que o Marcelo Bonfá é um ótimo cantor. Geração Coca Cola foi cantada pelo Dado em arranjo acústico e com a gaita de Clayton Martins, também do Cidadão Instigado.

Mas o ponto alto e realmente surpreendente da noite foi a participação do Mr. Gang of Four, Andy Gil, que se juntou aos dois legionários e a Bi Ribeiro (Paralamas), acompanhados novamente pelo Catatsau, para Damaged Goods e Ainda é Cedo.

Fato é que, independentemente de qualquer crítica, por mais merecida que seja, o cara pode dizer que já dividiu um palco com Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos, Bi Ribeiro e Andy Gil, e isso não é pouca coisa não!!!




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