quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pra passar mal!!!

O Matias disse lá no Trabalho Sujo, Budos Band em São Paulo nos dias 24 e 25 de agosto, no Sesc Pompéia, claro!

É óbvio que não estarei em São Paulo nesses dias!

Se você estiver por aqui (viu Mr. Victor), vai lá que será imperdível.



Eu juro que ainda vejo esses caras em NYC!!!

Enquanto isso, curte essa resenha aqui, tirada do blog Don´t Sleep Till Brooklyn (mas já tinha lido na Radiola Urbana há um tempão):






"É impressionante, sempre que a gente toca cai uma tempestade, como se a gente chamasse a chuva!" disse Rob Lombardo, um dos percussionista da Budos Band. "Acho que vocês estão batendo nas congas com muita força", eu respondi, e disse que achava pouco provável que naquela noite isso fosse se repetir. Ele balançou a cabeça, descrente, disse um "vamos ver" de quem duvidava.

O clima estava perfeito para um passeio de barco pelo East River. O calor abafado novaiorquino era equilibrado pela brisa do rio. Só o passeio noturno, que tinha no itinerário as pontes de Williamsburg, Manhattan, Brooklyn, e uma passadinha pela Estátua da Liberdade (sem dizer o skyline delirante de NY), já seria um programa bacana. Mas os caras, num surto de crueldade, decidiram colocar a Budos Band para tocar durante este trajeto.

As 21h00 pontualmente toca a trombeta do Half-Moon anunciando a partida e todos celebram. Pouco depois de sairmos do cais, os músico já tomavam seus lugares. Uma introdução que já deixou o Half Moon chacoalhando junto mostrou a que o Budos tinha vindo. Um show tomado de climas impressionantemente visuais, como trilha sonora de um filme blaxploitation imaginário rodado no deserto do Sahara, tocados com uma fúria tamanha que a profecia se concretizou: no meio de "Cairo", uma das inéditas do show, vem uma tempestade não se sabe de onde (!!!) que lava parte da bateria e dos percussionistas. Mas eles não se abalam nem param. O público vai ao êxtase antes mesmo do show começar propriamente!

Aí se seguem "Scorpion" e "Mas o Menos" e o público já esta totalmente ganho. Os solos são contagiantes, não tem um ser parado no barco – mesmo porque nem o barco fica parado! Músicas do primeiro e do segundo discos são intercaladas com inéditas que anunciam um outro ótimo disco da Budos. Jared Tankel, sax barítono e condutor da banda comenta que pelo visto as pessoas aprovavam as músicas novas, o que é respondido pelo público com entusiasmo. E eles descem mais a mão, com "Eastbound", do primeiro disco.

Um pequeno break deixa todo mundo se olhando, alguns se perguntam "vc viu isso?" como se presenciassem uma visita alienígena. Tem um clima de momento único no ar, realmente!

Acordes de guitarra anunciam que eles estão a postos novamente. Todos que estão no andar de baixo do barco se apressam, ninguém quer perder nada. Teclado e guitarra fazem uma introdução arrastada de "The Volcano Song" seguida pelo afoxé de Rob, esperando os outros músicos se posicionarem... explodem os sopros e o clima é retomado de onde parou, como se o break não tivesse acontecido. Sem dar tempo de ninguém pensar demais, "Ride or Die" vem derrubando a porta, bem no instante que passamos sob a ponte de Manhattan. Todo mundo delira, grita, inclusive os músicos. Ao fim da música, Jared fala "Queria agradecer vocês por terem ficado para nossa segunda entrada..." e todos riem, já que nem teriamos muita opção. Mas garanto que mesmo se tivessemos, ninguém arredaria o pé dalí. Enquanto todos comentam a piada, "King Kobra" começa, fazendo a trilha para a vista da ponte que passa e o skyline. É indescritível a mistura.

Duas outras inédita devolvem o clima de festão, mas Jared ainda não está satisfeito. "Acho que já é hora de tocarmos um hit". Thomas Brenneck (também guitarrista dos DapKings), começa a tocar "My Girl" do Temptations, que vai se transformando em "His Girl", essa da Budos Band.

Enquanto eles tocam outras inéditas, a Estátua da Liberdade vai passando e, coitada, o show está tão mais interessante que pouca gente parece se importar com ela.

A última música é anunciada, sob protestos. Eles rebatem, "po, foram 2h20 de show!". Caramba, foram mesmo! Parecia menos de 1 hora! "Up from the South" é celebrada até a última gota, todos sabem que terão de levá-la pra casa. Os músicos não fazem por menos e tratam-na com carinho, se esmerando nos solos, culminando num final triunfante. Todos aplaudem extasiados, agradecem muito. Eles retribuem e dizem que tiveram uma noite inesquecível.

Segue uma fila para a saída; um cara e a namorada me perguntam de onde eu sou. Respondo e eles perguntam se eu achei tudo o que eles acharam do show. É claro que eu confirmo, mas eles achavam que como temos carnaval isso seria algo muito "branco" pra gente (vai entender). É realmente intrigante não ter nem um negro na Budos Band, mas acho que isso não significa nada. Eles também se espantam de saber que eu conhecia a banda já no Brasil, se aqui mesmo eles ainda são obscuros (de certa forma). Um outro cara se apresenta, Oyebade, diz que é "ethnomusicologist" (caceta!) nigeriano, estava morando na América, estudava a herança de Fela e o Afrobeat e achou interessante as pessoas conhecessem afrobeat no Brasil. Eu disse que não era bem assim, que a gente se esforçava para divulgar mas ainda era pouca gente que dava o devido valor. Seguimos juntos em direção ao metrô, falando disso, e de como o Fela ainda tinha muito a dar e ser divulgado.

Antes de chegarmos na estação da 6th ave com a 23th, uma barreira policial. Nos perguntamos o que seria; "It's New York", Oyebade resume. No despedimos e fomos cada um pra um lado pegar seus trens em outras estações. Curioso que sou, voltei até um cara que contava pra todo mundo o que vira. "Choveu tanto e tão forte que um galho caiu em cima de um taxi que passava na rua!". Ele contava a história entusiasmado, como se fosse a única testemunha de um fato histórico e que sua função era espalha-lo. Eu ri, acho que sei mais ou menos como ele se sentia. Eu passei pela mesma coisa nesta noite. E acho até que sei o que causou esta chuva toda..."

Nenhum comentário:

Postar um comentário